Arquitetura Sagrada: um Foco de Luz

27/07/2018

 

A atividade do arquiteto envolve muito mais do que o projeto e a construção de uma edificação. Numa abordagem filosófica e holística, a função do arquiteto vai além do abrigo utilitário e material, ele deve expressar suas intuições, percepções e seus vislumbres de uma realidade espiritual mais elevada.

 

Materializar em seus projetos a beleza, que num sentido mais profundo, é a arquitetura como arte, revela o propósito transcendental da existência humana.

 

A arquitetura sagrada respeita o homem com ser espiritual. Ecologicamente consciente vincula o homem em suas raízes instintivas e intuitivas, expressa a ordem e a harmonia da natureza sob a forma de edificações e espaços sagrados, os quais transmitem significado multidimensional.

 

Ao abrigar o homem como ser espiritual em evolução, a forma arquitetônica precisa contribuir com o aprimoramento da vida daqueles que habitam os edifícios.

 

Proporcionar fundamentalmente o bem-estar físico e espiritual é o foco da arquitetura sagrada. Neste sentido, a proporção áurea é essencial para a harmonia e beleza da arquitetura como arte sagrada.

 

E para que os arquitetos possam exercer sua função primordial, precisam buscar uma comunhão com a mente cósmica entrando num estado de contemplação e de amor que facilmente são alcançados por meio da meditação e visualização criativa.

 

A arquitetura como símbolo e abrigo, deve suprir as necessidades materiais do nosso corpo físico, mas ao mesmo tempo revelar as necessidades artísticas, não utilitárias, de nossa alma.

 

Durante a meditação é possível contemplar com os olhos da mente e com a sabedoria do coração, a mais bela composição formal, a verdadeira arquitetura sagrada. Neste sentido, a meditação se revela de vital importância tanto no uso pessoal, quanto profissional.

 

Na meditação, a intuição do arquiteto aflora e seu pensamento se torna holístico, de modo que sua intuição irá ajudá-lo na resolução da forma.

 

Mas, muitas vezes serão necessários muitos anos de treinamento da mente e meditação diária para atingir um afinado discernimento perceptivo da arquitetura sagrada, cujas imagens irão surgir espontaneamente no subconsciente criativo por natureza.

 

Para estas imagens espontâneas, o médico e psicólogo, Carl Gustav Jung (1875-1961), deu o nome de arquétipos. Jung considerava que estes arquétipos vinham tanto da estrutura organizadora da mente, quanto do inconsciente coletivo.

 

Ele aplica o termo as imagens universais que existem desde os primórdios, como herança comum da humanidade, reflexo da experiência histórica da espécie.

 

Entretanto, seus estudos avançaram e ele alcançou sinais de uma realidade metafísica anterior ao ser humano, que estariam contidas numa parte da mente que ele chamou de “inconsciente coletivo”.

 

Com estudos da natureza do ser interior e espiritual e à percepção consciente de alguns processos da mente, Jung faz a identificação dos arquétipos.

 

De modo que a arquitetura do passado, dos templos egípcios e gregos e nas catedrais da França, refletem em sua forma a consciência arquetípica e instintiva de certos aspectos da realidade superior e divina.

 

Exemplo disso, são os símbolos arquetípicos da Catedral de Chartres em Paris, cujo interior sua nave central impressiona tanto pelos 37 m de altura que alcança, como pela harmonia e suas proporções elegantes.

 

Assim, quando o arquiteto acessa o inconsciente coletivo, por meio da meditação, e traz para seus projetos as verdades eternas lá encontradas, explorando e expressando na composição formal de uma edificação estas verdades, sua função mais elevada e suprema se realiza.

 

Sua arquitetura por meio dos arquétipos se torna sagrada, fornecendo acesso rápido e profundo ao conhecimento espiritual.

 

Ao meditar sobre um projeto de uma casa na natureza, por exemplo, a caverna é a primeira imagem que surge como um lugar que reflete proteção e segurança.

 

A caverna, neste exemplo, é o arquétipo de abrigo. Abrigo remete a casa, e em se tratando de casa, foi o arquiteto Frank Lloyd Wright, mestre modernista, quem entendeu facilmente a necessidade semelhante à caverna em uma casa.

 

Wright trouxe luz e abertura nas paredes com a utilização de portas de vidro e como consequência integrou o espaço externo do jardim com o interior da casa. Ele uniu dois arquétipos: a caverna com a clareira.

 

Assim estabeleceu-se no ocidente, um modelo de abrigo para a arquitetura sagrada da habitação. Um abrigo com aberturas para receber a luz, a ventilação e também proporcionar belas visuais, descrevia Wright como espaço, luz e liberdade.

 

Mas, a perfeita interação de caverna e clareira surgiu no oriente, mais precisamente no Japão, sob influência do zen-budismo. Lá os japoneses buscavam a conexão espiritual maior com a natureza.

 

Os espaços internos e os cômodos ficavam embaixo de telhados avantajados e protetores da forma, os quais traziam o mundo exterior para a conexão do homem com o mundo natural.

 

Esta arquitetura influenciou Frank Lloyd Wright que trabalhou no Japão, mais precisamente em Tóquio, o qual influenciou muitos arquitetos do Estilo Internacional no uso do vidro, para integrar o espaço interno das edificações ao espaço externo. Ao fundir a caverna com a clareira, Wright teve sua maior realização.

 

Com o passar dos anos o homem começou a adquirir maior liberdade e se dedicar ao lazer, foi quando suas moradas foram aos poucos sendo envolvidas por jardins. Com isso a arte da jardinagem acompanhou a arte da arquitetura.

 

O amor pela jardinagem traz uma necessidade profunda por entender a natureza, que é também uma necessidade psicológica arquetípica, que procura explicar a natureza do cosmos.

 

A arte da jardinagem envolve o afeto das plantas com as pessoas. Nas hortas e jardins pode-se cultivar ervas medicinais e culinárias, mas também idealizamos jardins como uma necessidade emocional para estarmos mais próximos da mãe natureza.

 

A jardinagem também é um símbolo arquetípico de nos conectarmos com o mundo vegetal para encontrarmos nossa verdadeira essência divina.

 

Quando cultivamos um jardim fortalecemos nossos laços com a terra, adubamos, irrigamos com a água, e a colheita que é decorrente da fotossíntese do sol e da brisa dos ventos, dá bons frutos. Toda essa beleza que é inerente na natureza pode ser trazida para às edificações, tornando-as sagradas e únicas.

 

Assim, o vidro é a grande protagonista que entra em cena, revolucionando a arquitetura, onde as paredes tornam-se por assim dizer, janelas.

 

Com os vidros, observamos jardins magníficos como parte essenciais de moradias e também de muitas edificações públicas.

 

Então, ao falar de arquitetura sagrada é parte inerente a caverna, a clareira e o jardim, os quais revelados numa composição formal harmoniosa e de proporções áureas, precisa trazer bem-estar, conforto e luz aos seus usuários.

 

Com isso, se faz necessário haver uma fusão entre as habilidades do arquiteto e do paisagista. A prática dos arquitetos precisa ser holística no sentido de ver o ambiente edificado como fazendo parte de um todo, no sentido físico e espiritual.

 

Exemplo disso, são os símbolos arquetípicos do magnífico Templo do Taj Mahal, na Índia, cuja altura impressiona pelos seus 73 m que alcança, como pela harmonia e sua simetria espetacular, tanto em sua arquitetura, quanto em seu jardim.

 

De arquitetura suntuosa e exemplo de arquitetura sagrada, o Taj Mahal, Patrimônio da Humanidade tombado pela UNESCO, em 2007 foi anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. 

 

 

 

“A arquitetura sagrada é como um guia rápido para a intuição, um foco de luz para acessar a sabedoria do coração.” 

 

 

Prática Espiritual de Harmonização e Ativação da Arquitetura Sagrada: